quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

"Laços de Família"

Dia Laranja - Vamos falar sobre a violência contra a mulher?

            De acordo com a Organização Mundial de Saúde, com uma taxa de 4,8 mil homicídios por 100 mil mulheres, o Brasil apresenta uma das taxas mais elevadas de feminicídio (morte de mulheres) no mundo, ocupando dentre um grupo de 85 países, a 5ª posição. Os dados podem parecer assustadores, mas não irrelevantes quando se debate sobre o assunto. É preciso gerar debates na sociedade e falar sobre o assunto sempre que possível, para que não caia às vias do esquecimento e para que as mulheres não sejam silenciadas.
Diante do preocupante contexto, foi criado há alguns anos pela ONU os “16 dias de ativismo” que visam alertar sobre a violência contra a mulher no mundo, data que vai de 25 de Novembro (Dia Internacional para a eliminação da Violência contra as mulheres) a 10 de Dezembro (Dia Internacional dos Direitos Humanos). Iniciada um pouco antes no Brasil, por conta da opressão histórica vivenciada pela mulher negra no país, seu início no dia 20 de Novembro (Dia Nacional da Consciência Negra) visa alertar as pessoas e autoridades sobre as diversas situações de violência em que a mulher é exposta, expondo causas e consequências de tais atos. A Campanha funciona como uma forma de esclarecimento sobre o tema.
Da Lei:
Desde 2006, está em vigor no Brasil a Lei Maria da Penha que Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; altera o Código de Processo Penal, o Código Penal e a Lei de Execução Penal; e dá outras providências.” (Introdução do texto sobre a Lei Maria da Penha)
Recentemente o Conselho Federal de Psicologia lançou nota sobre o assunto que, modifica a atuação do Psicólogo em casos que sejam relatados formas de violência contra a mulher. Designa-se, assim, obrigatoriedade da quebra de sigilo profissional entre Psicólogo(a) e cliente, em outras palavras, é dever do profissional de Psicologia alertar as autoridades sobre quaisquer situações de violência sofridas pela mulher atendida:
“Aprovada pelo 16º Plenário do Conselho no sábado (26), a nota orienta a realização da comunicação externa (denúncia) se a vida da mulher – ou a de seus filhos, ou de pessoas próximas – estiver seriamente ameaçada.”

“No texto, a autarquia manifesta apoio à adoção, em caráter excepcional, dessa medida sem o consentimento da paciente diante de sério risco de feminicídio." (Confira em: http://site.cfp.org.br/cfp-divulga-nota-que-orienta-quebra-do-sigilo-profissional-em-casos-de-violencia-contra-a-mulher/ )
Título "emprestado" do livro "Laços de Família", de Clarice Lispector.
Trecho do capítulo "Devaneio e embriaguez duma rapariga":

"Oh, como estava humilhada por ter vindo à tasca sem chapéu, a cabeça agora parecia-lhe nua. E a outra com seus ares de senhora, a fingir de delicada. Bem sei  o que te falta, fidalguita, e ao teu homem amarelo!

Mas, finalmente a dificuldade de chegar em casa desapareceu: remexia-se agora dentro da realidade familiar de seu quarto, agora sentada no bordo de sua cama com a chinela a se balançar no pé.

E, como entrefechara os olhos toldados, tudo ficou de carne, o pé da cama de carne, a janela de carne, na cadeira o fato de carne que o marido jogara, e tudo quase doía. E ela cada vez maior, vacilante, túmida, gigantesca. Se conseguisse chegar mais perto de si mesma, ver-se ia inda maior, Cada braço seu poderia ser percorrido por uma pessoa, na ignorância de que se tratava de um braço, e em cada olho podia-se lhe mergulhar dentro e nadar sem saber que era um olho. E ao redor tudo a doer um pouco. As coisas feitas de carne com nevralgia. Fora o friozito que a tomara ao sair da casa de pasto."

Para saber mais, acesse:
http://www.onumulheres.org.br/wp-content/uploads/2016/04/MapaViolencia_2015_mulheres.pdf

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